out 27 2008

Máscaras: as relíquias do teatro grego

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O carro de Thespis, cheio de máscaras, é uma convenção lendária confirmada pela existência de mármores atenienses onde se lê seu nome.  E há notícia de que nas suas primeiras apresentações dos concursos dramáticos, onde compunha e cantava ditirambos, ele disfarçou seu rosto com um pó, provavelmente um talco proveniente de chumbo ou gesso, depois pendurou flores nos cabelos e mais tarde passou a usar máscaras de linho que ele criava.

Choirilos, o ator, foi quem agregou algo às máscaras que impressionou o público – não sabemos o que – e Phrinicus criou as máscaras femininas. Após essas alterações, o poeta trágico Ésquilo, usou as primeiras máscaras coloridas e outras aterrorizantes.

A majestade do edifício teatral grego, as obras monumentais que nos restaram dos poetas trágicos, o sofrimento expresso na “máscara de Agamemnom” do Museu do Pirreu, a ferocidade das máscaras da Comédia, as ilustrações gloriosas do Teatro nos vasos durante alguns séculos, são o retrato que ficou de tudo isso que chamamos Teatro Grego.

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out 21 2008

A reação Cristã contra o teatro romano

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A reação cristã era natural, se lembrarmos que os cristãos eram condenados a combater gladiadores treinados e serviam como carne a ser dilacerada ou queimada para entretenimento dos espectadores.

No espetáculo chamado VENATIO, cristãos – em lugar de cachorros – eram oferecidos aos leões. Crucificados e empalados, transformados em tochas vivas no meio das arenas, até a conversão de Constantino ao cristianismo quando ele modificou o estado das coisas através de leis, – mas o Estado estava ruindo. Isto em 312 dC.

Em 410 dC. Alarico, um Visigodo, atravessou os Alpes e saqueou Roma.  E mais: por que sua religião não permitia o teatro, deu ordem para que os teatros fossem fechados, para alegria dos cristãos. Portanto, foi o paganismo que acabou com a crueldade do que então se chamava de teatro e em outras eras não havia sido. Não foi o Cristianismo.

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out 17 2008

O Arlequin: famoso herói da Commedia dell`Arte

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Com o tempo, Arlecchino, tornou-se o mais famoso herói da Commedia dell`Arte. Suas qualidades eram facilmente reconhecíveis como as de um parasita, o escravo esperto da comédia romana ou como o descendente direto de Mercúrio, aquele que negocia situações.

Era servil, ingênuo, mas fiel e cheio de soluções e recursos. Sempre metido em trapalhadas, acaba por se sair bem à custa de manobras cômicas incríveis. Respeita e ama as mulheres. Corre perigo às vezes e por isso precisa de um corpo atlético.

Sua roupa confusa cheia de losangos coloridos exprime seu caráter desigual, inconstante, e por ser dissimulado usa sempre uma máscara preta, para bem escondê-lo. Tem uma bolsa para as mensagens e recados, ou para guardar moedas que nunca são suas. E uma pequena espada apenas como definição e não como arma.

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out 16 2008

Theatrum Sacrum: a apoteose da alma pela arte Barroca

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Arte barroca mineira de Ataíde – Igreja de São Francisco de Assis

O Barroco pretende a alma em apoteose. Apesar de ser o Barroco uma idéia pré-concebida em um Concílio da Igreja Romana, ele se conserva como forma ideal para os artistas de sempre, os que acreditam ter a existência humana apenas uma finalidade: glorificar a Deus. Barroco é a forma sujeita às curvas que deformam e exaltam, aspiram e se destinam aos céus.

Ganhamos o barroco no Brasil através de rabiscos e informações de oitiva que chegaram até os nossos gênios plásticos que o instituíram em nossa história da arte. Nosso barroco tem um signo de importação de idéias aclimatadas, mas com o indisfarçável gênio da terra.

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out 10 2008

Tecnologia marítima nos primórdios do teatro romano

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Da Marinha, o teatro romano herdou além do velarium que cobria o público, o siparium, cortina da boca de cena que, ao invés de subir no início do espetáculo, descia, revelando primeiro a cabeça dos atores, indo até abaixo do piso do palco. No final do espetáculo a cortina subia, fazendo desaparecer o ator dos pés para a cabeça. Este siparium era sustentado por dois mastros laterais à boca de cena. Era uma vela marítima, acionada por uma manobra marítima.

Estaleiros romanos e depois vênetos, franceses e ingleses levaram o ‘velame’ (conjunto de mastros, vergas, velas e cordames) a extremos de sofisticação, a ponto de tecerem um intrincado e eficiente grafismo nos seus navios, linhas que nos encantam como desenho e sonho, quando examinamos maquetes de galeões, caravelas e veleiros. A história da marinha está cheia de intervenções na arquitetura e no teatro.

As pedras do Partenon foram alçadas, colocadas e travadas com know-how de marinheiros: manobras e guindastes foram trazidos por homens do mar, mestres que eram, desde o dia em que o cedro desceu às águas, como disse Ovídio.

Por Cyro del Nero

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out 09 2008

Santo Agostinho em defesa do teatro

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Velarium

Uma das grandes transformações nos edifícios teatrais herdados da Grécia foi criada pelos romanos que resolveram cobrir os teatros com um velarium, para defender o público do sol e da chuva. E convocaram a Marinha, porque somente marinheiros – nos mares ou na terra – conheciam técnicas de cobrir grandes espaços com tecidos e dominar vento e água.

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out 09 2008

Prof. Cyro del Nero apresenta “História da Antiguidade; 50 Anos de Visita A Grécia”?

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O Prof. Cyro del Nero estará participando do Fórum Arte Contemporânea e suas Interfaces com o tema História da Antiguidade: 50 Anos de visitas a Grécia.

O fórum se dará nos dias 15, 22 e 29 de Outubro de 2008 das 9h00 às 12h00 na sala Sala 22 – Departamento de Relações Públicas, Turismo e Propaganda – CRP, no campus da ECA USP – Escola de Comunicações e Artes.

Seguem-se maiores Informações:

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out 03 2008

Gesamtkunstwerk: a ópera de Richard Wagner

Publicado por em Música,Teatro

Para Richard Wagner a ópera é uma Gesamtkunstwerk: gesamt é reunida, total; kunst é arte e werk é obra. Uma obra de arte total, onde deve ser restaurada a unidade perdida da poesia, da música e da dança em um só espetáculo.

Ele escreve: E isto deve ser realizado sobre o modelo da tragédia grega. A obra de arte do futuro deve reencontrar a síntese destruída pelo cristianismo. Deve ter a valorização do texto que é masculino, o qual deve então se unir à música, elemento feminino. Deve-se abandonar a história e buscar o mito, pois só o mito realiza a transposição da idéia para a emoção, que é a finalidade da obra de arte. Só o mito pode ser ao mesmo tempo popular, nacional e universal. Palavras de Richard Wagner.

Daí, Wagner ter recorrido à mitologia germânica, que já havia sido redescoberta na literatura depois do romantismo.

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set 30 2008

A relação hierárquica e harmoniosa de elementos de encenação

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A encenação não é sempre a união de todas as artes, como na tragédia grega ou na ópera, mas uma justa relação hierárquica entre os diferentes meios de expressão.

O elemento primeiro e fundamental é o ator, pois sem ele o drama não existirá. É sua ação que deverá modelar o espaço teatral em torno e em função dele. Um espaço tridimensional – é isso o que substitui os fundos pintados, quando já eliminados juntamente com os vícios do palco italiano. E os volumes que substituem a superfície plana. Afinal o ator é tridimensional como deve ser seu universo do palco.

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set 24 2008

A exatidão e a inabalável certeza bachiana

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Considerando o aspecto matemático da obra de Johann Sebastian Bach e seu poder lírico e transcendental, a Paixão segundo São Mateus não parece ser a obra que mais facilmente inspiraria uma revolução criativa (cênica, sobretudo) como a que atingiu o encenador Gordon Craig, que foi quem criou os cenários e dirigiu o espetáculo.

Se, por exemplo, pudermos imaginar um trabalho criativo com a Arte da Fuga ou a Oferenda Musical, o que resultaria como conseqüência das informações advindas destas obras tão complexas da teoria musical?

Uma iluminação conceitual veio para Craig da Paixão Segundo São Mateus, obra dramática, o quinto evangelho, e vinda de um outro mundo para nos entregar vibrações numa língua sensorial, mas intraduzível. E, nesta obra, a exatidão e a inabalável certeza bachiana, o domínio absoluto sobre o caos como nunca se havia ouvido na história da música, as vozes e os instrumentos bem temperados, o uso soberano das 24 tonalidades, o uso dos tons maiores e, sobretudo os menores usados para endossar a tendência luterana pietista de ser fiel à palavra sagrada.

Que maravilhoso teatro a ser desvendado existe em Bach!!!

Por Cyro del Nero

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