ago 06 2008
Figurino: o equilíbrio dos signos ao compor um personagem
Há uma emoção para o figurinista durante a preparação para o ensaio final de um espetáculo teatral. Chegam os costumes depois das provas já havidas e o ator veste-se finalmente diante de um espelho. A emoção e as voltas que o ator dá ao redor de si mesmo para ver-se em seus diversos ângulos e dinâmica, avaliando o uso que seu corpo dará finalmente à sua personagem. Tudo completa naquele momento a realização do trabalho que o ator teve até então. Sua persona está pronta.
Roland Barthes diz que o bom costume teatral deve ter bastante material para significar e suficiente transparência para não constituir seus signos em parasitas. Ou seja, é o talento do ator que veremos, mas estaremos vendo a expressão plástica da personagem tornada visível através de um costume teatral com uma indispensável transparência conceitual para apreciarmos o ator. O que Barthes chama de parasitas é tudo aquilo acrescentado por capricho do figurinista, aquilo que este fez nascer ao redor do figurino: o ornato, que quer dizer exatamente isso, or-nato, nascido ao redor.
Houve uma dissertação de mestrado de um aluno que defendeu a idéia de que aquele que sabe realmente qual figurino deve vestir sua personagem não é o figurinista, é o próprio ator. A idéia deste aluno punha por terra o gênio de históricos figurinistas, conhecedores profundos da história da moda, sobretudo os do século XX, tais como Gischia, Malclès, Bakst, Jean Hugo, Tchelitchef, Coutaud, Prampolini, além de diversos figurinistas brasileiros que têm vestido espetáculos modestos ou ricos, com competência e eficiência. E muitos outros figurinistas do mundo teatral que munidos de um vasto conhecimento da moda, o utilizam para dar signos aos figurinos e com os materiais de seu ofício dar suficiente transparência às personagens sem constituir seus signos em parasitas.
Por Cyro Del Nero


Mais um magnífico artigo, que soma teatro, figurino, comportamemnto…
É um privilégio poder ter acesso aos artigos de Ciro del Nero!
Ignez Pitta
Mais uma vez, o prof. Cyro nos engrandece com sua cultura.
Para mim, é um privilégio ser sua aluna.
Beth Narciso
Olá!!! Sou Wil aluna do curso de Pós-Graduação em figurino e carnaval da UVA-Universidade Veiga de Almeida, e fiquei muito feliz ao ler seu artigo sobre figurino e suas considerações sobre o Teatro; Gostaria de saber onde posso ter um contato pessoal com voce e se há à possibilidade fazer um curso nestas áreas citadas.
Atenciosamente.
Um abraço.
Wil Guedes
Olá!!! sou Sâmela estudante de design de moda e estou iniciando minhas pesquisas de trabalho de conclusão de curso,
e escolhi como tema o figurino como a principal característica de um personagem.
Achei enriquecedor este artigo sobre o figurino, e gostaria de saber se o senhor tem outros artigos desse assunto que possa compartilhar comigo, me ajudando assim a enriquecer ainda + o meu trabalho.
Desde já agradeço
abraços Sam