jul 03 2008

O Teatro nasceu das religiões ou as religiões nasceram do Teatro?

Publicado por às 2:06 em Teatro

Jean Louis Barrault foi um célebre ator francês conhecido no Brasil através do cinema.

Foi o mímico Baptiste no filme Boulevard do Crime.

Dirigiu durante anos a Commedie Française do Teatro Nacional da França. Ele esteve com a Commedie em São Paulo em 1954, apresentando Cristóvão Colombo de Paul Claudel e O Processo de Franz Kafka em uma adaptação de André Gide.

Em sua autobiografia, Barrault nos conta de sua amizade com Antonin Artaud esse gênio profético do teatro, já em seus últimos anos – diariamente drogado porque estava enfermo e não estava enfermo, por estar drogado. Quem hoje se droga para ter o gênio de Artaud comete um contra-senso.

Entre o que Barrault ouviu de Artaud há testemunhos terríveis. Artaud declarou:

- A tragédia no palco já não me basta. Vou transportá-la para minha vida.
Muitas vezes pediu que Barrault, um genial mímico, o imitasse. E vendo a imitação que o ator fazia dele, gritava:

- Roubaram minha personalidade, Roubaram minha personalidade.

E escapava correndo. Barrault se perguntava se o havia ofendido e chegava à conclusão de que Artaud se havia passado para o outro lado. Havia saído de seu próprio círculo, mas consciente disso. Artaud se havia convertido e abandonando a si mesmo, mas conservava uma fantástica lucidez.

Dizia: Para curar-me do juízo que faço dos outros, disponho de toda a distância que me separa de mim mesmo. Artaud morreu sentado na beira de sua cama como se continuasse vivo. Morto, conservava-se sentado, como se não quisesse abandonar a vida.

Foi ele quem nos esclareceu a respeito da relação entre o Teatro e as religiões. Ao contrário do que sempre se acreditou, Artaud nos revelou que o Teatro não nasceu das religiões, mas que as religiões nasceram do Teatro.

Por Cyro Del Nero

Sobre Antonin Artaud

Antoine Marie Joseph Artaud, conhecido como Antonin Artaud (Marselha, 4 de setembro de 1896 — Ivry-sur-Seine, Paris em 4 de março de 1948) foi um poeta, ator, escritor, dramaturgo, roteirista e diretor de teatro francês de aspirações anarquistas.

Ligado fortemente ao surrealismo, foi expulso do movimento por ser contrário a filiação ao partido comunista. Sua obra O Teatro e seu Duplo é um dos principais escritos sobre a arte do teatro no século XX, referência de grandes diretores como Peter Brook, Jerzy Grotowsky e Eugenio Barba. Seus restos mortais se encontram no Cimetiere de Marseille, França.

Para Artaud, o teatro é o lugar privilegiado de uma germinação de formas que refazem o ato criador, formas capazes de dirigir ou derivar forças.

Em 1935 Artaud conclui o “Teatro e seu Duplo” (Le Théâtre et son Double), um dos livros mais influentes do teatro deste século. Na sua obra ele expõe o grito, a respiração e o corpo do homem como lugar primordial do ato teatral, denuncia o teatro digestivo e rejeita a supremacia da palavra. Esse era o Teatro da Crueldade de Artaud, onde não haveria nenhuma distância entre ator e platéia, todos seriam atores e todos fariam parte do processo, ao mesmo tempo.

Saiba mais na Wikipédia.

Um comentário

Um comentário to “O Teatro nasceu das religiões ou as religiões nasceram do Teatro?”

  1. stefanie ap. de olon 14 mar 2010 at 0:21

    adoro teatro

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